A rotina brutal de quem vive na cidade mais fria do mundo; ASSISTA VÍDEO

Reprodução O Antagonista

Em Yakutsk, na Sibéria, o inverno não é apenas uma estação: é um desafio diário de sobrevivência. Em dias considerados normais, o termômetro marca por volta de –48 °C, e mesmo assim a rotina segue com trabalho, escola e compromissos, desde que a roupa certa esteja no corpo.

Como alguém se veste para encarar –48 °C na vida real?

O canal Kiun B en Español, com seus 425 mil inscritos, mostra como em Yakutsk se vestir é quase um ritual estratégico. Tudo começa com camadas: uma legging já no corpo, outra por cima, seguida de joelheiras de lã de camelo para proteger as articulações, que podem sofrer com anos de exposição ao frio intenso.

Os pés ganham meias de lã de camelo para isolamento máximo, depois entram em cena calças acolchoadas e impermeáveis. Sobre todas as camadas, entra uma jaqueta leve e, por cima, um grosso casaco de plumas de ganso, feito para suportar invernos árticos, mantendo as pernas surpreendentemente quentes.

Por que o casaco certo pode custar até 17 mil dólares?

Um bom abrigo de plumas pode custar entre 800 e 1.000 dólares, mas nem sempre dá conta do frio mais extremo. Por isso, o ápice da proteção térmica é o abrigo de pele, considerado necessidade e não luxo em Yakutia

Casacos de pele variam de cerca de 6.000 até 17.000 dólares, especialmente os de pele de marta, e muitas mulheres economizam por anos para conseguir comprar um. Essas peças são encaradas como investimento de longo prazo, unindo status, cultura local e proteção genuína contra temperaturas que podem chegar a –70 °C.

Para entender melhor os diferentes tipos de proteção térmica usados na cidade mais fria do mundo:

  1. Camadas base incluem leggings duplas e joelheiras de lã de camelo para articulações
  2. Camadas intermediárias consistem em calças acolchoadas e impermeáveis modernas
  3. Casacos de plumas de ganso custam entre 800 e 1.000 dólares
  4. Abrigos de pele premium chegam a 17.000 dólares para peles de marta
  5. Meias especiais de lã de camelo garantem isolamento máximo nos pés

Como é andar pela cidade mais fria do mundo no dia a dia?

Antes mesmo de aproveitar qualquer passeio, o morador precisa vencer a porta de casa. Se faltar pão ou leite, a ida rápida ao mercado vira missão: colocar todas as camadas de roupa, encarar o ar que queima os pulmões e a garganta e correr para espaços fechados em questão de minutos.

Em Yakutsk, tudo é pensado para o frio extremo: ruas, prédios e sistemas de aquecimento foram projetados para resistir a temperaturas abaixo de –70 °C. O aquecimento central fica ligado 24 horas na maioria dos apartamentos, e uma simples caminhada de 300 metros até o ponto de ônibus já faz o frio atravessar as roupas, mesmo com todas as proteções.

Quais truques ajudam a sobreviver enquanto a cidade funciona?

Para aguentar o tempo na rua, o objetivo é sempre reduzir a exposição. As pessoas tentam ficar no máximo de 10 a 15 minutos do lado de fora antes de procurar abrigo, já que nariz, bochechas e pele exposta começam a congelar rapidamente, mudando de cor em poucos instantes.

As paradas de ônibus aquecidas viram refúgios essenciais, assim como centros comerciais e cafés, que funcionam como pontos de encontro e fuga do frio. Até usar o celular na rua é complicado, pois a bateria descarrega ou desliga quase imediatamente devido às temperaturas extremas.

❄️ Estratégias de sobrevivência e logística em frio extremo

Guia prático para mobilidade e preservação de calor em ambientes de baixa temperatura

🏃 Mobilidade e refúgio

Paradas de ônibus aquecidas

Tempo: 10-15 min | Evita o congelamento de extremidades durante a espera
Shoppings com guarda-roupas

Tempo: Ilimitado | Permite movimentação livre sem o peso de casacos pesados

☕ Manutenção térmica e eletrônica

Cafeterias estratégicas

Tempo: 15-30 min | Recuperação de calor corporal e ponto de encontro social
Uso limitado de celular

Tempo: 2-5 min | Apenas emergências (bateria descarrega rapidamente no frio)

Como a rotina em Yakutsk revela curiosidades sobre o frio extremo?

Yakutia é um centro tradicional de produção de peles desde a época do Império Russo, quando materiais como zibelina, bisão e raposa eram exportados para a Europa e conhecidos como “ouro suave”. Hoje, as compras online, especialmente em aplicativos chineses, são extremamente populares para adquirir roupas adequadas ao clima.

Carros exigem cuidados intensos: motores precisam ficar ligados por longos períodos ou contar com sistemas especiais de aquecimento automático. Em meio ao frio brutal, gestos simples ganham outro peso, como jogar água fervendo no ar e vê-la virar cristais de geloinstantaneamente, experiências que despertam curiosidade e inspiram quem gosta de explorar histórias de lugares extremos.

com informações de O Antagonista