Anvisa proíbe ‘chip hormonal’ no país e apreende Botox e Mounjaro falsos

Reprodução UOL

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou hoje uma série de medidas que incluem a proibição e apreensão de medicamentos falsificados, suspensão de vendas, recolhimentos e novas regras para produtos veterinários.

O que aconteceu

As ações atingem remédios usados para o tratamento de câncer, diabetes, obesidade, estética, produtos manipulados e até suplementos vendidos como “naturais”. As decisões foram divulgadas no Diário Oficial da União.

RELACIONADAS

A agência proibiu, em todo o país, a manipulação, venda e uso de implantes com o hormônio nesterone, conhecidos como “chips hormonais”. Segundo a Anvisa, a substância não possui avaliação e aprovação de segurança e eficácia para esse tipo de uso. Todos os estoques devem ser recolhidos.

Foi identificado lote falsificado do Mounjaro (lote D838838). Segundo a Anvisa, as embalagens apresentavam impressão borrada e diferenças na data de validade. O lote foi apreendido e teve comercialização, distribuição e uso proibidos.

Outro medicamento mencionado é o Enhertu (lote 416466), usado no tratamento de câncer. Foram encontradas unidades com frascos maiores que o padrão e tampa metálica diferente da original. A agência determinou a apreensão e proibição da venda.

A Daiichi Sankyo Brasil, empresa responsável pelo medicamento, informou que identificou unidades falsificadas do produto, relacionadas ao lote 416466.Segundo a empresa, esse lote não corresponde a produtos fabricados ou distribuídos por fornecedores homologados da empresa. Após a suspeita, em junho de 2025, a empresa notificou a Anvisa e iniciou a apuração, colaborando com as investigações. A companhia afirmou que não houve qualquer alteração na fabricação ou na qualidade dos produtos originais e orienta que medicamentos sejam adquiridos apenas de distribuidores autorizados

Também houve confirmação de falsificação de lote do Botox (lote C7936C3), com datas de fabricação e validade divergentes das originais. A empresa responsável pelo medicamento, a ABBVIE Farmacêutica, informou à Anvisa que foram encontrados no mercado frascos desse lote com datas de fabricação e validade diferentes das originais (01/2024 e 12/2026). No caso do imunoterápico Opdivo, usado contra diversos tipos de câncer, dois lotes (ACW7159 e ACS8612) foram considerados possivelmente adulterados após comunicado da fabricante. A Anvisa determinou apreensão e proibição de uso.

Também foi determinada a apreensão de diversos anabolizantes e hormônios vendidos sem registro. Entre eles estão: boldenona, oxandrolona, testosterona, anastrozol e oximetolona. Além disso, um lote de tirzepatida 15 mg, sem identificação de fabricante regular, também foi apreendido por não ter registro na Anvisa.

A agência proibiu a comercialização de vários produtos vendidos como naturais ou fitoterápicos sem registro. Entre os produtos estão versões de “Ozempic natural”, ora-pro-nóbis, ginkgo biloba, maca peruana e outros compostos. Farmácias de manipulação também foram alvo de medidas por venderem fórmulas padronizadas sem prescrição individualizada, o que é proibido pelas normas sanitárias.

Recolhimentos por risco à qualidade

Entre os recolhimentos, está um lote de furosemida injetável da empresa Hypofarma, após confirmação de partícula de vidro dentro de ampola. A empresa destacou que segue as normas regulatórias, reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes e afirmou que mantém investimentos contínuos na modernização e no controle de qualidade. Também houve recolhimento voluntário de lotes de maleato de enalapril após identificação de manchas nos comprimidos, apesar de não haver risco confirmado ao paciente.

Outro caso envolve a interdição cautelar de lotes de água para injetáveis e solução fisiológica da empresa Equiplex, por suspeita de contaminação. O UOL entrou em contato com as empresas para comentar a situação e aguarda o retorno.

A Anvisa também atualizou norma sobre resíduos de medicamentos veterinários em alimentos de origem animal. Foi incluído o princípio ativo umifoxolaner na lista de limites máximos permitidos para bovinos, com restrição de uso em animais produtores de leite para consumo humano.

A Anvisa orienta pacientes, clínicas, hospitais e farmácias a verificarem sempre número de lote, integridade da embalagem e procedência dos medicamentos. Produtos com suspeita de falsificação ou irregularidade não devem ser utilizados e devem ser comunicados às autoridades sanitárias. As medidas reforçam o alerta sobre o aumento da circulação de medicamentos falsificados e produtos hormonais e “naturais” vendidos sem autorização no país.

com informações