BBC mandou jornalistas culparem Israel por fome em Gaza, revela documento interno

Reprodução o Antagonista

A BBC é alvo de nova crise após o vazamento de um e-mail interno com instruções para a cobertura da fome em Gaza.
O documento, revelado pela revista britânica The Spectator neste domingo, 27, orienta jornalistas a considerar “irrelevante” o debate sobre o volume de ajuda humanitária que entra no território e a responsabilizar Israel pela escassez de alimentos.
O texto, intitulado “Covering the food crisis in Gaza”, também recomenda que repórteres descrevam falhas no sistema de distribuição local e usem linguagem uniforme em rádio, TV e internet.

O conteúdo do e-mail ainda não foi confirmado oficialmente pela corporação, mas a divulgação ampliou críticas sobre o viés da BBC em reportagens do Oriente Médio.

A revelação ocorreu poucos dias antes de o órgão regulador britânico, a Ofcom, sancionar a emissora.

O motivo foi o documentário “Gaza: How to Survive a Warzone”, exibido entre fevereiro e outubro.

A investigação concluiu que a BBC enganou o público ao omitir que o narrador, um adolescente de 13 anos, é filho de um integrante do governo de Gaza administrado pelo Hamas.

A Ofcom classificou a falha como “violação séria” das regras de radiodifusão.

A BBC reconheceu o erro, retirou o programa do ar e prometeu reforçar controles editoriais. A emissora afirmou que revisa protocolos de checagem e de transparência sobre vínculos de fontes e personagens.

Nos últimos dois anos, a corporação suspendeu jornalistas árabes acusados de apoiar o Hamas em redes sociais e abriu investigações internas sobre possíveis violações de imparcialidade.

Um “analista” apresentado pela BBC Árabe foi identificado posteriormente como ex-dirigente de veículo ligado ao Hamas, sem que isso fosse informado ao público na época.

O vazamento do e-mail reacendeu questionamentos sobre a neutralidade da emissora. Deputados e entidades judaicas cobraram explicações.

O governo britânico reforçou que o Hamas é grupo terrorista e exigiu que veículos públicos mantenham rigor na cobertura.

A Ofcom afirmou que continuará monitorando o cumprimento das normas de imparcialidade.

com informações de O Antagonista