Blindagem de Lulinha na CPMI coloca decisão de Dino em choque com entendimento do STF

Blindagem de Lulinha na CPMI coloca decisão de Dino em choque com entendimento do STF

Gustavo Moreno/STF

Ao aprovar em bloco os 87 requerimentos de investigação na semana passada, a CPMI do INSS repetiu uma prática já usada em várias outras apurações do Congresso, inclusive a CPI do 8 de Janeiro (2023) e a CPI da Pandemia do Senado (2021).

Nesta quinta-feira (5/3), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou toda a votação da CPMI do INSS da semana passada, quando foram aprovados os requerimentos.

Dino estendeu à votação dos outros 86 requerimentos a decisão anterior dele nesta quarta-feira (4/3), que anulou a quebra de sigilo bancário e fiscal da lobista Roberta Luchsinger.

O entendimento de Flávio Dino contraria um precedente do próprio Supremo. Na CPI da Pandemia, o ministro Dias Toffoli (STF) rejeitou o pedido da empresa VTCLog para afastar a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

Em uma votação do dia 24 de agosto de 2023, a CPI do 8 de Janeiro aprovou em bloco, por votação simbólica, um total de 57 requerimentos. Desses, 45 eram quebras de sigilo de investigados, inclusive o da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa no Complexo Penitenciário de Rebibbia, em Roma.

Na ocasião, o deputado federal Rogério Corrêa (PT-MG) anuiu com a votação em bloco.

“O Deputado Rogério Correia já me disse aqui que a ideia era aprovar todos os requerimentos — aqui se existe algum requerimento constante da pauta em que haja alguma divergência”, disse o deputado Arthur Oliveira Maia (União-BA), que presidia a sessão.

Fonte: Metrópoles