Bolívia vive novo momento de tensão após decreto presidencial de emergência

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O  presidente da Bolívia, Rodrigo Paz (foto), decretou estado de emergência neste sábado, 20, em meio à crise provocada por bloqueios de estradas e protestos que já duram cerca de 50 dias. A medida amplia os poderes do governo para tentar restabelecer a circulação de mercadorias e serviços no país.

O decreto permite o emprego das Forças Armadas para desobstruir rodovias e entra em vigor imediatamente. Pela legislação boliviana, porém, a decisão ainda precisa ser comunicada ao Congresso, que terá até 72 horas para aprová-la ou rejeitá-la.

Bloqueios de estradas

Os protestos têm afetado importantes vias de transporte e comprometido o abastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos, inclusive na região de La Paz

Parte dos manifestantes é ligada ao ex-presidente Evo Morales e mantém bloqueios sobretudo em Cochabamba.

Ao anunciar a medida, Paz afirmou que o objetivo é garantir a circulação de bens essenciais e preservar a ordem pública. 

“Este não é um estado de emergência para restringir a vida das pessoas. É um estado de emergência para devolver a liberdade ao povo, para libertar a Bolívia daqueles que usam o conflito político para bloquear estradas e prejudicar a população”, disse.

Crise econômica

A crise começou após o governo reduzir subsídios aos combustíveis em meio a dificuldades fiscais, escassez de dólares e negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Apesar de recuos em algumas medidas e de tentativas de estabilizar os preços, as manifestações se ampliaram.

Nos últimos dias, o governo anunciou um acordo com a Confederação Operária Boliviana (COB), principal central sindical do país. No entanto, grupos que seguem controlando parte das estradas não participaram das negociações e mantiveram os protestos.

Com informações de O Antagonista