Caso Master esquenta e recado a Mendonça chama atenção; VEJA
Reprodução
s opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião do Metrópoles
No seu último artigo, o jornalista William Waack diz que “homem de profunda convicção religiosa, o ministro André Mendonça teria imediatamente se recolhido em orações ao saber que fora sorteado como novo relator do caso Master”.
A cena dá a medida do desafio que se coloca ao “terrivelmente evangélico”: submeter-se ao espírito de corpo do STF, afastando os seus pares do cálice das responsabilidades criminais, ou enfrentar as pressões dos ministros implicados e fazer a justiça que os tementes a Deus esperam dele.
Mendonça tem um pecado original: o de ter apoiado a abertura do inquérito das fake news, em 2019, quando era advogado-geral da União. Fez ali o jogo do então presidente Jair Bolsonaro, que vivia naquele momento um caso de amor com Dias Toffoli, à época presidente do STF.
O sono da razão produziu, mais uma vez, um monstro, e é com este monstro que Mendonça tem de se haver: a hidra da onipotência, da arrogância, do autoritarismo, do arbítrio, de quem utiliza a mais alta corte do país como instrumento para a realização de ambições nada republicanas.
Estar à frente do inquérito do Master é, portanto, também uma oportunidade de Mendonça se redimir. Deus redobrou a atenção que presta à sua ovelha, uma vez que o ministro tem a relatoria de outro inquérito rumoroso, o que investiga as fraudes no INSS, que envolvem igualmente o banco de Daniel Vorcaro.
Na reunião fechada do STF cujos diálogos foram vazados, Mendonça se mostrou alinhado com o corporativismo do tribunal e contra a as ações da PF no caso Master. Mas, aparentemente, a ajuda divina que ele pediu nas suas orações resultou em mudança de posição.
Ontem, por exemplo, ele ampliou o poder da PF no inquérito sobre as lambanças criminosas perpetradas por Vorcaro et caterva, anulando as restrições impostas por Toffoli, o suspeito que não é suspeito, em jabuticaba adicional produzida por nosso pomar inesgotável.
Fonte:Metrópoles
