Conversas no Instagram deixarão de oferecer criptografia ponta a ponta; VEJA DETALHES:

A Meta confirmou que o Instagram deixará de oferecer suporte para mensagens diretas com criptografia de ponta a ponta a partir de 8 de maio de 2026. A medida encerra uma funcionalidade de privacidade introduzida na plataforma há pouco mais de dois anos.

Usuários que possuem conversas protegidas por esse sistema receberão orientações para baixar mensagens, arquivos e mídias antes que o recurso seja desativado.

A mudança representa uma reviravolta em relação ao discurso adotado anteriormente pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg. Em 2019, o executivo afirmou que o futuro das comunicações digitais estaria cada vez mais voltado para serviços privados e criptografados, nos quais as pessoas teriam maior segurança de que suas conversas permaneceriam protegidas.

Essa visão incluía a ampliação da criptografia de ponta a ponta em aplicativos da empresa, como Facebook Messenger, Instagram Direct e WhatsApp. No caso do Instagram, o recurso foi disponibilizado para mensagens diretas em dezembro de 2023.

Agora, segundo informações publicadas na Central de Ajuda da rede social, a funcionalidade deixará de existir. Após a mudança, as conversas no Instagram voltarão a utilizar o modelo padrão de criptografia da plataforma, o que permite que a própria Meta tenha acesso técnico ao conteúdo das mensagens.

Embora a empresa não tenha detalhado oficialmente as razões para a decisão, o anúncio ocorre em um momento de crescente pressão internacional sobre plataformas digitais em relação à proteção de menores.

Governos de países como Estados Unidos, Reino Unido e membros da União Europeia têm discutido legislações que exigem que empresas de tecnologia consigam identificar conteúdos ilegais, incluindo material de abuso sexual infantil, mesmo em comunicações privadas.

O debate ganhou ainda mais visibilidade durante um processo judicial em andamento no estado do Novo México, nos Estados Unidos. O procurador-geral Raúl Torrez acusa a Meta de falhas na proteção de menores em suas plataformas.

Documentos internos revelados durante o caso indicam que executivos da empresa já demonstravam preocupação com os impactos da criptografia nas políticas de moderação. Em mensagens internas divulgadas no processo, a chefe de políticas de conteúdo da Meta, Monika Bickert, chegou a classificar a estratégia como potencialmente prejudicial para a empresa.

Especialistas que acompanham o julgamento também afirmaram que a adoção da criptografia dificultou a identificação de conteúdos ilegais e a atuação em casos de exploração infantil.

A decisão da Meta também levanta questionamentos sobre o futuro de outras plataformas do grupo. O Facebook Messenger, por exemplo, passou a adotar criptografia de ponta a ponta como padrão em 2023. Até o momento, a empresa não informou se pretende rever essa política.

Para usuários preocupados com privacidade digital, o caso reacende o debate sobre a dependência de recursos de segurança controlados por grandes plataformas. Aplicativos como o Signal, por exemplo, são frequentemente citados por especialistas por manterem sistemas de criptografia independentes de mudanças corporativas.

Com informações de Portal Viu.