CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilo de empresa que tem Dias Toffoli como sócio

CPI do Crime Organizado aprova quebra de sigilo de empresa que tem Dias Toffoli como sócio

reprodução STF

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a atuação do crime organizado no Brasil aprovou, nesta manhã, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt Participações, que tem como sócio o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O colegiado também aprovou o convite para a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prestar depoimento.

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A ofensiva da CPI do Crime Organizado acontece semanas após Toffoli deixar a relatoria dos inquéritos das fraudes no banco Master no STF. Ele foi alvo de críticas e admitiu ser sócio da Maridt, empresa da sua família que realizou operações financeiras com um fundo gerido pelo cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel.

No requerimento, o autor, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pede que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie as informações bancárias, fiscais, telefônicas e telemáticas da Maridt Participações S.A. referente ao intervalo de 1º de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026.

Vieira quer investigar se há interesses pessoais de Toffoli no caso Master por meio das relações da empresa da família dele, a Maridt.
“Ante a gravidade institucional dos fatos, que sugerem a captura de instâncias do Poder Judiciário por interesses escusos e o uso de familiares em situação de vulnerabilidade econômica para acobertar crimes, a aprovação desta medida é o único caminho para que esta CPI cumpra seu dever constitucional de assegurar a transparência e a moralidade pública”, justifica o senador no requerimento.

Com esse mesmo objetivo, o colegiado aprovou a convocação dos irmãos de Toffoli, que também seriam sócios da Maridt: José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli.

Toffoli, Moraes e Viviane

Em outro movimento, os parlamentares aprovaram o requerimento de convite da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para prestar depoimento. Os senadores querem que ela explique o contrato de prestação de serviços advocatícios que a advogada Viviane Barci de Moraes teria firmado com o banco Master, segundo apurou o jornal O Globo.

Como mostrou o Valor, esse pedido de explicações pode ferir o sigilo que Viviane com o banco Master, por conta do direito ao sigilo profissional que existe entre advogado e cliente. Inicialmente, os senadores queriam convocar a advogada — ocasião na qual a pessoa é obrigada a comparecer perante a CPI —, mas mudaram a solicitação para um convite após orientação da advocacia do Senado.

O colegiado também chancelou os convites de Toffoli e de Moraes para a realização de oitivas sobre supostas ligações de empresas e familiares deles com o caso Master. Por ser um convite, a presença deles perante a comissão não é obrigatória.

Com informações de VALOR ECONÔMICO