Datafolha mostra mistura ideológica: Lula conquista parte da direita, e Flávio Bolsonaro, da esquerda; VEJA NÚMEROS

Datafolha mostra mistura ideológica: Lula conquista parte da direita, e Flávio Bolsonaro, da esquerda; VEJA NÚMEROS

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro Brenno Carvalho / O Globo

Um novo recorte da pesquisa Datafolha realizada em junho mostra que, entre os entrevistados que indicaram intenção de votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 24% estão nos campos da direita ou da centro-direita, segundo a classificação ideológica medida pelo instituto. Já entre aqueles que declararam voto em Flávio Bolsonaro (PL), 19% aparecem à esquerda ou na centro-esquerda.
A classificação ideológica foi calculada pelo Datafolha a partir das respostas a 16 perguntas sobre economia, comportamento e valores. O levantamento apontou que, em geral, após um recuo registrado em 2022, a direita e a centro-direita voltaram a superar a esquerda e a centro-esquerda no Brasil: 44% a 39% (há quatro anos, os grupos somavam 34% a 49%, respectivamente).

No eleitorado de Lula, segundo os cálculos, há 24% na esquerda, 36% na centro-esquerda, 16% no centro, 19% na centro-direita e 5% na direita. No grupo pró-Flávio, há 25% na direita, 38% na centro-direita, 17% no centro, 15% na centro-esquerda e 3% na esquerda (somas foram arredondadas).

As mudanças ocorreram sobretudo nos temas de criminalidade, homossexualidade, religião e pobreza. Segundo o Datafolha, um terço dos eleitores de Flávio (34%) dizerem acreditar que a posse de armas deve ser proibida por representar uma ameaça à vida, enquanto isso 26% dos entrevistados que indicaram voto em Lula disseram que as leis trabalhistas no país mais atrapalham o crescimento das empresas que protegem os trabalhadores. A maior parte dos eleitores de Lula (61%) e Flávio (81%) defende que adolescentes que cometem infrações devem ser punidos como adultos.

Na ocasião, o Datafolha apontou que Lula permanece à frente nas intenções de voto para o primeiro turno da eleição presidencial, com 41%, seguido por Flávio, com 31%. Um segundo pelotão de candidatos aparece com intenções de voto entre 3% e 1%, ainda sem ameaçar concretamente os dois favoritos. No cenário simulado de segundo-turno, o petista marcou 47%, e o filho de Bolsonaro, 43%.

A pesquisa presencial Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios do país entre 17 e 18 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança na amostra de 95%. Nos estratos, a margem varia conforme a base. Ela está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Com informações de O GLOBO