Donald Trump diz não estar satisfeito com proposta de paz do Irã; VEJA:

Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

Em rápida conversa com jornalistas nesta sexta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não está satisfeito com a proposta de acordo de paz apresentada pelo governo iraniano.

“Eles querem fazer um acordo, mas eu não estou satisfeito com isso, então veremos o que acontece”, disse o presidente americano. “Tivemos uma conversa com o Irã. Vamos ver o que acontece, mas eu diria que não estou satisfeito… Eles precisam apresentar o acordo certo. Neste momento, não estou satisfeito com o que estão oferecendo”, continuou.

Durante a interação, Trump também declarou que não demonstra preocupação em relação aos estoques de mísseis do país, mesmo diante de relatos sobre apreensão quanto ao ritmo de utilização de armamentos no contexto do conflito com o Irã.

Na noite de quinta-feira (30), o governo iraniano encaminhou sua proposta mais recente de negociação a mediadores no Paquistão, conforme informou a agência estatal IRNA.

O cessar-fogo firmado há cerca de três semanas entre Estados Unidos e Irã segue em vigor, embora de forma instável, com ambos os lados trocando acusações de descumprimento do acordo.

O presidente Donald Trump não detalhou quais pontos considera problemáticos na proposta apresentada por Teerã. “Eles estão pedindo coisas com as quais não posso concordar”, afirmou.

Segundo Trump, as negociações continuam sendo conduzidas por telefone, após o cancelamento da viagem de representantes americanos ao Paquistão na semana passada.

O presidente também demonstrou insatisfação com a condução política do Irã, classificando sua liderança como fragmentada.

“É uma liderança muito desarticulada”, disse. “Todos querem fazer um acordo, mas estão todos confusos.”

Apesar de o cessar-fogo ter reduzido significativamente os combates no território iraniano, Estados Unidos e Irã continuam em um impasse no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo e gás comercializados no mundo em períodos de normalidade.

A tensão na região se mantém devido ao bloqueio naval imposto pelos EUA, que impede a saída de petroleiros iranianos, afetando diretamente a economia do país. Ao mesmo tempo, o controle do estreito por parte do Irã também pressiona o mercado global de energia.

No início da semana, o presidente Donald Trump mencionou a possibilidade de um novo plano para reabrir a passagem, fundamental para aliados americanos no Golfo que dependem da rota para exportar petróleo e gás.

Em meio às tentativas diplomáticas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, realizou nesta sexta-feira uma série de contatos com autoridades de países da região, incluindo Turquia, Egito, Catar, Arábia Saudita, Iraque e Azerbaijão. Segundo publicações em suas redes sociais, o objetivo foi atualizar esses governos sobre as iniciativas mais recentes para encerrar o conflito.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também conversou por telefone com Araghchi no mesmo dia. De acordo com comunicado oficial, o diálogo abordou os esforços em curso para reabrir o Estreito de Ormuz e discutir possíveis acordos de segurança de longo prazo. Kallas também tem mantido interlocução com parceiros do Golfo.

Autoridades do Paquistão afirmaram que seguem trabalhando para reduzir as tensões entre os dois países. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif declarou, durante reunião de gabinete na quarta-feira, que ainda aguardava uma resposta do governo iraniano.

Segundo Trump, em entrevista ao site Axios no início da semana, uma proposta apresentada pelo Irã para reabrir o estreito foi rejeitada. O plano previa, em contrapartida, o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos e o adiamento das negociações sobre o programa nuclear do país, de acordo com duas autoridades regionais ouvidas sob condição de anonimato.

Um dos principais motivos apontados pelo governo americano para a entrada no conflito foi impedir o avanço do programa nuclear iraniano com potencial militar.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os confrontos já deixaram milhares de mortos. De acordo com autoridades, ao menos 3.375 pessoas morreram no Irã e mais de 2.600 no Líbano, onde novos embates entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado por Teerã, começaram dois dias após o início do conflito.

Também foram registradas 24 mortes em Israel e mais de 20 em países árabes do Golfo. No campo militar, morreram 17 soldados israelenses em território libanês e 13 militares dos Estados Unidos na região.

Com informações de G1.