EUA ignoram alerta e vendem fuzis de precisão para o Bope, unidade de elite da PM do Rio de Janeiro
Reprodução Valor Econômico
As autoridades dos Estados Unidos aprovaram recentemente a venda de fuzis de precisão para a Batalhão de Operações Policiais Especiais – BOPE, unidade de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), apesar de alertas sobre o risco de que esse tipo de arma fosse utilizada em operações que poderiam intensificar confrontos com civis. O contrato prevê armamento sofisticado, com alcance aprimorado e maior capacidade de letalidade, o que levanta preocupações tanto no Brasil quanto internacionalmente sobre a escalada da militarização das forças de segurança pública no estado.
O governo norte-americano, segundo a reportagem, foi informado formalmente por entidades internacionais e por setores da diplomacia brasileira de que a operação poderia contrariar orientações de direitos humanos e aumentar o risco de uso excessivo da força. Mesmo assim, a exportação foi autorizada, e o BOPE já está em fase de planejamento para receber e implementar esses armamentos em sua estrutura operacional. Há destaque também para o fato de que a venda acontece em um momento de renovação ou ampliação do arsenal policial no Rio de Janeiro, com apoio técnico e logístico proveniente dos EUA.
Para especialistas ouvidos pela matéria, a transação gera um alerta: se por um lado fortalece a capacidade operacional da PMERJ, por outro pode agravar tensões em comunidades vulneráveis e aumentar o número de confrontos com consequências graves. Críticos argumentam que a prioridade deveria ser o investimento em policiamento comunitário, inteligência e redução de homicídios, e não a aquisição de sistemas de armas de alta precisão. Já defensores da medida apontam que o BOPE atua em situações extremas e a nova armação serviria para dar resposta mais eficaz ao crime organizado, sobretudo no contexto das favelas cariocas onde facções fortemente armadas têm acesso a armamentos pesados.
Com informações do Valor Econômico
