Ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou proteger parceiros na delação com estratégia bizarra; VEJA

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou proteger parceiros na delação com estratégia bizarra; VEJA

REPRODUÇÃO

Em sua primeira proposta de delação premiada, além de vazamentos para figurões selecionados da República, Daniel Vorcaro inovou.

Em vez de crimes, ele “delatou” a honestidade de pelo menos duas autoridades. Como? O ex-baqueiro fez questão de dizer, num dos anexos, que não corrompeu ministro “A” ou político “B”, pois os negócios sobre tais personagens teriam sido tocados por outro comparsa dele no Master, Fabiano Zettel.

Para investigadores da Polícia Federal, que já conhecem a “alma” de Vorcaro, como é chamada a nuvem do celular do banqueiro, os “anexos do bem” do dono do Master serviram apenas para consolidar um entendimento. Em vez de fazer justiça e se arrepender, o banqueiro queria mesmo era confusão.

Afinal, o instrumento da delação premiada não serve para outra coisa a não ser admitir crimes. Histórias que não se relacionem com condutas criminosas não devem fazer parte dos depoimentos. Proteger e preservar figurões da República já foi expediente usado em outros escândalos de corrupção, por outros delatores, mas — tanto no passado como agora — a coisa nunca terminou em final feliz para quem precisa obter benefícios da Justiça.

Em tempo, Vorcaro terá nova chance de falar a verdade, agora numa conversa bem mais direta e sem margem para brincadeiras. “Se queria tumultuar a apuração, não conseguiu”, diz um investigador.
Com informações de VEJA