França e Espanha negam espaço aéreo e expõem EUA a risco
REPRODUÇÃO REVISTA OESTE
Um bombardeiro estratégico B-1B Lancer da Força Aérea dos Estados Unidos (EUA) precisou adotar uma rota incomum e mais arriscada ao retornar de uma missão contra o Irã, na madrugada de 18 de março. A aeronave, de matrícula 86-0120, pousou posteriormente em uma base avançada em Gloucestershire, no Reino Unido.
Dados de rastreamento divulgados pela plataforma Airnav Radar revelam que, apesar do êxito da operação militar, o trajeto de volta expôs mais uma vez fissuras políticas dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), principalmente no que diz respeito à condução de ações no Oriente Médio.
EUA: contorno obrigatório
Ao deixar a área de operações, o bombardeiro seguiu pelo Mar Mediterrâneo em direção ao Estreito de Gibraltar, partindo da região próxima a Israel. O que chama atenção, no entanto, é o desvio realizado para alcançar o Atlântico: em vez de cruzar o espaço aéreo europeu continental, a aeronave fez uma inflexão rumo ao norte, contornando completamente países como Portugal, Espanha e França.
— Trump Fact News 🇺🇸 (@Trump_Fact_News) March 20, 2026
A manobra não foi casual. Segundo fontes diplomáticas, esses países — com destaque para França e Espanha — recusaram autorização para o sobrevoo em missões classificadas como ofensivas contra o Irã. A restrição, dizem os países, não se aplica a operações de caráter humanitário, logístico nem de transporte.
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O episódio evidencia uma divisão política cada vez mais clara entre aliados ocidentais. Na Espanha, o governo de Pedro Sánchez, sustentado por uma coalizão de esquerda, tem adotado uma linha mais resistente a intervenções militares externas, sobretudo no Oriente Médio. A França continua sendo membro central da Otan, mas defende maior “autonomia estratégica europeia”. Em Portugal, embora o discurso oficial seja mais moderado, há também uma tendência relevante dentro do espectro político a evitar o envolvimento indireto em ações de ataque.
Essa postura, frequentemente justificada como prudência diplomática, é vista por analistas críticos como um fator de desgaste na coordenação estratégica da Otan, a exemplo da ONU. Ao negar apoio logístico básico — como o uso do espaço aéreo —, esses países acabam impondo obstáculos operacionais a aliados e ampliando os riscos de missões já sensíveis.
No caso específico do B-1B, a necessidade de contornar o território europeu implicou aumento no tempo de voo e maior complexidade no reabastecimento aéreo, além de potencial exposição adicional a ameaças ao longo do percurso.
Durante o retorno, a aeronave operou entre 17 mil e 25 mil pés de altitude — abaixo do padrão comum para esse tipo de plataforma —, possivelmente como parte de ajustes táticos diante das limitações impostas pela rota alternativa.
Com informações de REVISTA OESTE
