ROMBO: Governo amplia empréstimos fora da meta e volume chega a R$ 307 bi; VEJA DETALHES;
Nos três primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a alta desses empréstimos bateu 55% | Foto: Reprodução/YouTube/@LulaOficial
O Tesouro Nacional ampliou os empréstimos concedidos a fundos e bancos públicos para financiar políticas governamentais, registrando um aumento de 34,5% em um ano. O volume total alcançou R$ 307,2 bilhões em 2025, segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo com base no Balanço Geral da União. No período, o crescimento nominal foi de R$ 78,7 bilhões.
Para viabilizar essas operações, o governo emite títulos da dívida pública. Em muitos casos, os repasses são feitos com taxas de juros reduzidas, o que gera o chamado subsídio implícito — um custo que não aparece de forma explícita no Orçamento Federal.
Nos três primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse tipo de operação acumulou alta de 55,5%, o que representa um aumento de R$ 109,7 bilhões nos repasses a bancos e fundos públicos.
Debate sobre impacto fiscal
Especialistas criticam a expansão desses empréstimos, apontando que o crescimento acelerado pode funcionar como uma forma de contornar limites fiscais. Isso ocorre porque a maior parte dessas operações não entra diretamente no teto de gastos do arcabouço fiscal nem aparece integralmente no resultado primário.
Segundo analistas, esse modelo pode ampliar o endividamento do país e gerar efeitos indiretos na economia, ao dificultar o controle da inflação e interferir na atuação do Banco Central. Já integrantes da equipe econômica defendem a estratégia, argumentando que os recursos são direcionados a políticas públicas e setores considerados estratégicos.
O total de R$ 307,2 bilhões inclui duas principais categorias: haveres financeiros de operações fiscais e outros empréstimos e financiamentos. Ambas as modalidades devem continuar crescendo em 2026, com previsão de novas operações já anunciadas pelo governo no valor de R$ 35 bilhões.
Entre os programas contemplados estão o Minha Casa, Minha Vida, com R$ 20 bilhões, e o Plano Brasil Soberano, com R$ 15 bilhões.
Crescimento dos fundos e crédito rural
A conta de operações fiscais passou de R$ 114,75 bilhões em 2024 para R$ 143,15 bilhões em 2025. O avanço foi influenciado, entre outros fatores, pelo repasse de R$ 22,2 bilhões ao Plano Brasil Soberano e pela liberação de R$ 12 bilhões para produtores rurais renegociarem dívidas, medida que buscou aliviar o balanço do Banco do Brasil diante do aumento da inadimplência no setor agrícola.
O programa Renova Frota também integra esse conjunto, com R$ 6 bilhões repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a compra de caminhões.
Já a categoria de “outros empréstimos” atingiu R$ 164,1 bilhões em 2025, alta de 44,3% em relação ao ano anterior. Dentro desse grupo, o Fundo Clima recebeu um aporte de R$ 20 bilhões em um ano, além de recursos adicionais para programas habitacionais e fundos regionais.
O governo também alterou a legislação para permitir o uso do Fundo Social do pré-sal no financiamento do Minha Casa, Minha Vida, ampliando as fontes de recursos para políticas habitacionais.
Com informações de Revista Oeste.
