Irã diz que recebeu resposta dos EUA sobre proposta de fim da guerra
Veículos passam por um outdoor com uma imagem do Estreito de Ormuz e com os lábios costurados do presidente dos EUA, Donald Trump, em uma praça no centro de Teerã, Irã, sábado, 2 de maio de 2026. — Foto: AP Photo/Vahid Salemi
O Irã afirmou neste domingo (3) ter recebido uma resposta dos Estados Unidos à sua mais recente proposta de negociações de paz. A movimentação ocorreu um dia após o presidente Donald Trump declarar que provavelmente rejeitaria a iniciativa, alegando que “eles não pagaram um preço alto o suficiente”.
Segundo a mídia estatal iraniana, Washington teria enviado sua resposta à proposta de 14 pontos apresentada por Teerã por meio do Paquistão, e o conteúdo estaria em análise. Até o momento, não houve confirmação oficial nem por parte dos Estados Unidos nem de autoridades paquistanesas.
“Neste estágio, não temos negociações nucleares”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, de acordo com a mídia estatal. A declaração se refere à proposta iraniana de adiar discussões sobre questões nucleares até o fim do conflito e até que os Estados Unidos concordem em suspender restrições ao transporte marítimo no Golfo de Omã.
No sábado (2), Trump declarou que ainda não havia analisado o texto da proposta iraniana, mas indicou que provavelmente a rejeitaria.
“Em breve estarei analisando o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não consigo imaginar que seja aceitável, já que eles ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à Humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”, escreveu o presidente em redes sociais.
Estreito de Ormuz ainda fechado
Estados Unidos e Israel haviam suspendido a campanha de bombardeios contra o Irã há quatro semanas, e representantes dos países realizaram uma rodada de negociações. No entanto, as tentativas de novos encontros ainda não avançaram.
O Irã apresentou sua proposta mais recente na quinta-feira, e um alto funcionário confirmou no sábado que Teerã busca encerrar o conflito e resolver primeiro o impasse marítimo, deixando as negociações sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.
Trump afirmou inicialmente, na sexta-feira, que não estava satisfeito com a proposta iraniana, mas disse no sábado que ainda analisava o conteúdo.
“Eles me falaram sobre o conceito do acordo. Agora vão me dar o texto exato”, declarou a jornalistas. Questionado sobre a possibilidade de novos ataques ao Irã, respondeu: “Não quero dizer isso. Não posso dizer isso a um repórter. Se eles se comportarem mal, se fizerem algo ruim, vamos ver. Mas é uma possibilidade.”
Proposta do Irã e exigências dos EUA
A proposta iraniana de adiar as negociações nucleares para uma fase posterior contrasta com a posição dos Estados Unidos, que exigem restrições imediatas ao programa nuclear antes de qualquer avanço no acordo de paz.
Washington quer que o Irã reduza ou entregue seu estoque de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido, que poderia ser utilizado para fins militares, segundo avaliação norte-americana. Teerã afirma que seu programa é pacífico, mas já demonstrou abertura para discutir limitações em troca da suspensão de sanções, como no acordo de 2015 — posteriormente abandonado durante o governo Trump.
Apesar de afirmar não ter pressa, Trump enfrenta pressão interna diante do impacto econômico do conflito, especialmente após interrupções no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial, afetando os preços de combustíveis nos Estados Unidos.
Segundo a mídia iraniana, a proposta de 14 pontos inclui:
- retirada de forças americanas de áreas próximas;
- fim do bloqueio;
- liberação de ativos congelados;
- pagamento de compensações;
- suspensão de sanções;
- fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano;
- criação de um novo mecanismo de controle para o estreito.
Um alto funcionário iraniano, ouvido sob anonimato, afirmou à Reuters que a proposta de adiar as negociações nucleares representa uma mudança importante para facilitar um possível acordo, ao deslocar o tema para uma etapa final.
Tensões no Líbano e Israel
No mesmo contexto, Israel ordenou a evacuação de milhares de moradores no sul do Líbano, em meio à escalada de conflitos com o Hezbollah, aliado do Irã.
Teerã afirmou que não retomará negociações com Washington sem um cessar-fogo também no Líbano, onde Israel realizou uma incursão em março após ataques do Hezbollah em apoio ao Irã.
Embora Israel e Líbano tenham firmado uma trégua no mês passado, confrontos continuam ocorrendo em menor intensidade. Neste domingo, o Exército israelense emitiu alertas para evacuação de 11 cidades e vilarejos no sul libanês, alegando operações contra o Hezbollah e risco a civis próximos a áreas de combate.
Com informações de G1.
