Tropas reagem ao capitão Bolsonaro e ao general Lula; VEJA DETALHES:
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; e o ex-presidente Jair Bolsonaro (Valter Campanato/Agência Brasil)
Os dois principais nomes da política nacional, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, atravessam momentos distintos na relação com suas bases políticas.
Em seu terceiro mandato à frente da Presidência, Lula tem adotado uma postura de forte centralização dentro do PT, cobrando alinhamento total às decisões do governo. Na prática, a condução interna ocorre com pouca margem para divergências, garantindo unidade entre os integrantes do partido.
Foi por orientação direta do presidente que o PT optou por suavizar o tom de um manifesto divulgado após um congresso recente. No documento, a legenda reduziu críticas ao sistema financeiro, evitou confrontos com o Banco Central e deixou de retomar ataques ao chamado “austericídio”, termo utilizado anteriormente contra o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, atualmente candidato ao governo de São Paulo.
Como parte da estratégia para fortalecer a tentativa de reeleição de Lula, o partido também decidiu não lançar candidaturas próprias em alguns estados. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro — segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país — a sigla pretende apoiar nomes de partidos aliados, como PSB e PSD.
“O nosso papel histórico é eleger o presidente Lula, e a sua eleição significa a vitória da democracia e a derrota do fascismo”, afirmou Edinho Silva, presidente do partido.
Cada um por si
No campo da direita, o cenário é diferente. Com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e sem poder atuar diretamente na articulação política, o grupo oposicionista vive um momento de fragmentação.
Sem uma liderança central ativa, diferentes nomes passaram a disputar espaço, cada um adotando estratégias próprias para a corrida presidencial. Atualmente, a direita conta com três pré-candidatos, além de disputas internas e divergências pessoais.
Nos últimos dias, filhos de Bolsonaro fizeram críticas ao deputado Nikolas Ferreira, considerado um dos principais representantes da direita nas redes sociais. Também houve novos atritos com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que não apoia integralmente as candidaturas de Flávio Bolsonaro à Presidência e de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
Segundo o senador Rogério Marinho, que coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, a ausência do ex-presidente dificulta a mediação de conflitos internos.
“Quando tinha a oportunidade de conversar com o partido, o presidente Bolsonaro, pelo fato de dar a última palavra, de ser alguém respeitado por todos, facilitava a mediação de eventuais conflitos ou diferenças dentro do grupo. O fato de ele estar impedido hoje de conversar com o partido certamente gera um pouco mais de dificuldade”, afirmou.
Cenário eleitoral
Mesmo com a base partidária alinhada, Lula já não aparece com o mesmo favoritismo na disputa presidencial.
Por outro lado, a direita, apesar da desorganização interna, tem se mostrado mais competitiva nas pesquisas. Levantamentos recentes indicam que Flávio Bolsonaro aparece empatado com Lula em simulações de segundo turno, chegando a liderar numericamente em alguns cenários.
Outros nomes da oposição, como os ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, também reduziram a diferença em relação ao atual presidente, indicando um cenário eleitoral mais equilibrado.
Com informações de Veja.
