Ministério da Saúde deixa São Paulo sem vacina para a 2ª dose contra a catapora

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20/06/2024 12:28 | 5 min de leitura


A cidade de São Paulo não tem imunizante suficiente para a aplicação da segunda dose da vacina contra a varicela (catapora).

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, o Ministério da Saúde tem enviado quantidade insuficiente.

No SUS (Sistema Único de Saúde), a compra de vacinas cabe ao Ministério da Saúde. O quantitativo é repassado às federações para distribuição aos municípios.

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O esquema é composto por duas doses: a primeira como parte da tetraviral SCR-V (sarampo, caxumba, rubéola e varicela —atenuada); a segunda, com a vacina varicela.

Com a falta da vacina varicela, a capital paulista realiza a aplicação da primeira dose aos 15 meses, conforme calendário vigente. A segunda, que deve ser dada aos 4 anos, é disponibilizada de forma parcial e gradual.

O desabastecimento desta vacina não é novidade em nenhuma das instâncias governamentais. Em fevereiro deste ano, o ministério fez uma compra internacional emergencial.

No mesmo mês, o estado de São Paulo solicitou 230 mil doses e recebeu 46 mil.

Em março e abril, foram solicitadas mais 460 mil doses, e em maio outras 230 mil. Até o momento, o governo federal não enviou o quantitativo dos últimos meses mencionados.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde alegou que o laboratório responsável pela produção da vacina contra a varicela tem enfrentado problemas técnicos que afetaram a regularidade da distribuição no primeiro semestre.

O órgão diz que faz compras emergenciais com outros fornecedores nacionais e internacionais. Ainda assim, a capacidade de fabricação e de entrega dos laboratórios não atende à necessidade integral do PNI (Programa Nacional de Imunizações). Enquanto não houver restabelecimento do fornecimento total, o estoque disponível será distribuído de forma restrita.

Segundo o ministério, em 2024, foram enviadas ao estado paulista 170 mil doses da vacina contra a varicela —92 mil em janeiro, 32 mil em fevereiro e 46 mil em março.

O órgão disse que também mandou a São Paulo 240 mil doses da vacina tetraviral, que contém o componente da varicela —80 mil em fevereiro, 80 mil em março, 50 mil em abril e 30 mil em maio.

SURTOS DE CATAPORA SÃO MAIS COMUNS EM ESCOLAS E CRECHES
De 1º de janeiro a 15 de junho, a capital paulista teve 69 surtos de catapora com 127 casos, no total. Maio foi o mês com mais surtos (25) e casos (47).

Os locais com as maiores incidências de surtos de catapora são as escolas e as creches.

De acordo com o CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica) do estado de São Paulo, até maio deste ano, foram registrados 98 surtos de varicela —um em janeiro; 14 em fevereiro; 25 em março; 29 em abril e 29 em maio. As cidades de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Piracicaba tiveram mais surtos.

No mesmo período de 2023, houve 110 surtos —quatro em janeiro; 19 em fevereiro; 41 em março; 22 em abril e 24 em maio. A reportagem perguntou o número de casos em cada surto, mas o CVE não informou.

Fonte: Folha de S. Paulo

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