Moraes reage à suspeita de vazamento: o que se sabe sobre a nova ofensiva do STF; ASSISTA
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O ponto de partida foi a operação determinada no STF para apurar suspeitas de acesso — e eventual vazamento — de dados fiscais de familiares de ministros. Quatro servidores da Receita viraram alvo de buscas, tiveram medidas cautelares impostas e passaram a ser apresentados como peças de um quebra-cabeça que foi encaixado no inquérito das fake news, aberto em 2019 e conduzido por Alexandre de Moraes.
Mais do que apurar um crime — “vazar dados sigilosos é um crime grave”, lembrou Ferraz —, o caso expõe a disputa sobre método, limites e o custo institucional de transformar o STF numa arena permanente.
O que está em jogo nessa “ofensiva” contra a Receita?
O gatilho foi a preocupação de ministros com a hipótese de vazamentos envolvendo parentes. A suspeita, no pano de fundo, conversa com outras crise recentes — inclusive a do Banco Master, que voltou a rondar o noticiário pela menção ao contrato atribuído ao escritório da esposa de Moraes.
No programa, Ferraz lembrou que o sindicato dos auditores fiscais reagiu com dureza. O presidente da Uniafisco, Kléber Cabral, classificou a operação como “um dos maiores casos de excesso” desde a redemocratização e descreveu a investigação como “pescaria probatória”, a famosa fishing expedition: você lança a rede grande o suficiente “e cai alguém”.
Cabral ainda contestou o coração de uma das narrativas em circulação: a do contrato milionário. Segundo ele, “a Receita não arquiva contrato”, e, portanto, o documento não teria como “ter vazado da Receita”. Já a evolução patrimonial de uma das pessoas citadas seria, na visão dele, um tipo de informação que “é plausível” ter origem no Fisco.
Por que o sindicato fala em abuso e desproporcionalidade?
Na leitura de Marcela Rahal, que entrevistou Cabral no Ponto de Vista, a crítica não é contra a apuração em si, mas contra o caminho escolhido. Ela relatou o argumento do dirigente: o servidor teria chegado a um nome homônimo, sem avançar no acesso de dados — e, ainda assim, teria sido atingido por medidas como tornozeleira, apreensão de passaporte e biscas.
“Ele defende que fosse aberto um procedimento disciplinar dentro da Receita”, disse Marcela, “e não impostas aquelas medidas cautelares” antes de um devido processo mais claro. Para ela, a intimação do dirigente para depor após as críticas acendeu um alerta: “parece também um pouco abusivo nesse sentido”.
O programa também sublinhou um aspecto que torna a história mais espinhosa: o pedido de Moraes miraria uma lista ampla, com cerca de 100 nomes, incluindo parentes até terceiro grau dos ministros. Foi aí que o conceito de “pesca” ganhou corpo: escopo grande, chance maior de “pegar alguém”, mesmo sem prova de vazamento consumado.
Moraes está dobrando a aposta — e por quê?
Ao entrar no debate, José Benedito da Silva foi incisivo no retrato do momento: Moraes “não vai tirar o pé”. Para ele, além de uma decisão controversa, o rec
O programa também sublinhou um aspecto que torna a história mais espinhosa: o pedido de Moraes miraria uma lista ampla, com cerca de 100 nomes, incluindo parentes até terceiro grau dos ministros. Foi aí que o conceito de “pesca” ganhou corpo: escopo grande, chance maior de “pegar alguém”, mesmo sem prova de vazamento consumado.
Moraes está dobrando a aposta — e por quê?
Ao entrar no debate, José Benedito da Silva foi incisivo no retrato do momento: Moraes “não vai tirar o pé”. Para ele, além de uma decisão controversa, o recado ficou claro na convocação do dirigente sindical: “ele vai ser chamado lá exatamente para ser mandado um recado mesmo”.
Benedito ampliou a crítica ao ambiente institucional. O inquérito das fake news, disse, virou um “ponto de virada” na relação do STF com investigações que envolvem a própria Corte — e, por isso, arrasta o tribunal para o terreno político: “Eu não gosto de ver o Supremo agindo como se fosse uma delegacia de polícia”.
Ao mesmo tempo, ele não descartou que haja politização do outro lado. Citou relatos de postagens de auditores com simpatia a Bolsonaro e ataques ao STF e alertou para um risco maior: “ideologização e politização do aparato estatal… STF, Receita, Polícia Federal… a gente fica em maus lençóis”.
Problema estrutural no inquérito das fake news?
No comentário final, Diogo Schelp reforçou a crítica de método: encaixar o caso dentro do inquérito das fake news “é problemático” e o inquérito “
“já deveria ter sido encerrado há muito tempo”.
Schelp lembrou a origem controversa do procedimento e sua evolução como “um balaio de gatos”, usado para acomodar temas diversos sempre que ministros
enxergavam ameaça à Corte. Para ele, há um risco corporativista: “impedir que certas informações constrangedoras… viessem à tona”.
com informações de VEJA
