Neuralink: o que se sabe até agora sobre o chip cerebral de Elon Musk

Foto: Getty Images/CFOTO/Future Publishing
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30/05/2023 06:08 | 12 min de leitura


A Neuralink, empresa de chips cerebrais de Elon Musk, recebeu da Food and Drugs Administration (FDA), órgão regulatório de saúde dos Estados Unidos, autorização para realizar o seu primeiro estudo clínico em seres humanos, na última quinta-feira (25). Os testes preveem a implantação de um dispositivo no cérebro de cobaias humanas com a promessa de, no futuro, reverter condições incuráveis como a paralisia e a cegueira. A autorização foi concedida em meio a investigações que a companhia enfrenta no país quanto a falhas no manuseio de experimentos em animais.

A empresa anunciou a recente aprovação para a realização do experimento por meio de um tuíte. Na publicação, a Neuralink disse estar trabalhando em "estreita colaboração com o FDA" e que a permissão "representa um primeiro passo importante que um dia permitirá que nossa tecnologia ajude muitas pessoas". Para entender mais sobre o assunto e o que está em jogo na invenção de Elon Musk, confira o guia do TechTudo com o que se sabe até agora sobre o chip da Neuralink.

O que é a Neuralink e para que serve o seu chip?

Neuralink é uma empresa de neurotecnologia fundada por Elon Musk em 2016 com o objetivo de desenvolver interfaces para conectar o cérebro humano diretamente com computadores. A ideia por trás do empreendimento é permitir que pessoas possam interagir com a tecnologia de forma mais rápida e eficiente, quase simbiótica.

A empresa promete que o seu primeiro produto, um chip cerebral conhecido como “Link”, será capaz de registrar a atividade neural e estimular regiões específicas do cérebro para ajudar pacientes com deficiência a se mover e se comunicar novamente, restaurar a visão e comunicar-se diretamente com smartphonese computadores utilizando apenas o poder do pensamento.

Como funciona o chip da Neuralink?

O chip neural do tamanho de cinco moedas empilhadas é inserido cirurgicamente sob o crânio e se expande para diferentes áreas do cérebro por meio de milhares de pequenos eletrodos. De acordo com a Neuralink, o procedimento cirúrgico será feito por um robô especialmente desenvolvido para este fim.

Uma vez instalados, os eletrodos são capazes de ler os sinais químicos elétricos enviados por nossos neurônios enquanto eles comunicam-se entre si. As informações coletadas são interpretadas por algoritmos de aprendizado de máquina e softwares baseados em inteligência artificial e, assim, podem ser transmitidos a dispositivos como um computador ou telefone.

Além da coleta e envio de dados, a Neuralink também promete que seu dispositivo terá papel ativo dentro do cérebro, sendo capaz de restaurar a atividade neural dentro do corpo. A ideia é que o chip se comunique com apps que agem especificamente em uma condição médica. Musk chegou a divulgar que dois dos aplicativos da empresa visam a restaurar a visão e um terceiro se concentrará no córtex motor, restaurando a "funcionalidade total do corpo" para pessoas com medula espinhal danificada.

 

Por que Elon Musk quer chips cerebrais?

Na visão de Musk, a inserção cirúrgica de chips será algo corriqueiro e banal no futuro. Ele acredita que tanto pessoas com deficiência ou com alguma condição de saúde adversa grave quanto pessoas saudáveis se submeterão ao procedimento para instalar dispositivos com objetivos que vão desde a cura de obesidade, autismo, depressão ou esquizofrenia até navegação na web e telepatia.

O bilionário confia tanto no projeto que, antes de conseguir a aprovação da FDA, chegou a afirmar que testaria o chip em si mesmo e que não veria problema em instalar o dispositivo nos filhos, se fosse necessário. Na medida em que dá declarações polêmicas (ou otimistas demais) como estas, Musk chama atenção para a empresa, que hoje está à frente de qualquer outra no segmento de interfaces cerebrais.

Neuralink está aprovado pelas agências reguladoras?

Nos Estados Unidos, o órgão que regula a atividade é a FDA. A aprovação concedida pela agência reguladora na última quinta-feira permite que a Neuralink teste o dispositivo em humanos, mas até a concessão para comercialização do implante existe um longo caminho, que exige várias rodadas extremamente completas de testes e coleta de segurança de dados.

A FDA e a Neuralink ainda não se pronunciaram sobre a extensão do estudo aprovado. Sabe-se que a agência exige que os pesquisadores sigam protocolos éticos para proteger seres humanos em ensaios clínicos, incluindo monitoramento e relato de qualquer adversidade que ocorra durante os experimentos. A empresa disse em um tuíte que o recrutamento de pacientes para seu ensaio clínico ainda não está aberto.

Em março de 2023, a agência chegou a negar a autorização, solicitada pela empresa em 2022, no devido a uma série de preocupações. Dentre elas, o potencial de os pequenos fios do implante migrarem para outras áreas do cérebro e a possibilidade da remoção do dispositivo causar danos ao tecido cerebral.

 

Polêmicas em testes com animais

De acordo com a Reuters, a empresa está sendo investigada nos Estados Unidos por ter cometido violações do bem-estar de animais durante os experimentos. A equipe da empresa teria reclamado que os testes têm sido realizados de maneira desleixada e às pressas, causando sofrimento e mortes desnecessárias. A denúncia foi protocolada pelo Departamento de Agricultura dos EUA em dezembro do ano passado, por violações às leis que regulam o tratamento de animais em testes realizados por pesquisadores.

A pressão para avançar etapas e conquistar a aprovação para testes em humanos teria levado à morte de ao menos dois macacos e 86 porcos por erro humano. Ao todo, a Neuralink já teria matado mais de 1.500 animais desde 2018, entre ratos, camundongos, ovelhas e outras cobaias.

 

Techtudo

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