O alvo do piloto da Latam

Reprodução Metrópoles

A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta segunda-feira, 9, um piloto da Latam acusado de liderar uma rede de exploração sexual infantil que funcionava há, pelo menos, oito anos na capital paulista. O homem foi detido no aeroporto de Congonhas momentos antes de embarcar em um voo para o Rio de Janeiro. A operação resultou ainda na prisão de uma avó que entregava as próprias netas ao esquema.

Segundo a delegada Ivalda Aleixo, do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa), o piloto oferecia dinheiro, medicamentos, televisores e pagava o aluguel de mães e avós de crianças em troca de fotos, vídeos e contato sexual com as menores. A polícia já identificou dez vítimas, mas o material apreendido no celular do suspeito indica que o número pode ser maior.

“Nos encontros, ele deixava claro: ‘Gosto de crianças’”, afirmou a delegada. A investigação começou em outubro de 2024, após uma das vítimas procurar a polícia.

Vítimas em famílias periféricas

O piloto buscava famílias em regiões periféricas de São Paulo. A estratégia incluía usar uma vítima para aliciar outras, criando uma aparente relação de confiança que facilitava o acesso a novas crianças e adolescentes.

Entre os casos confirmados está o de duas irmãs vendidas pela própria avó. Uma delas tem hoje 18 anos, mas os abusos começaram aos 13. A outra, de 14 anos, passou a ser explorada aos 11. Há registro de vítimas de 14, 16 e 17 anos, mas todas tinham entre 11 e 13 anos quando os crimes começaram.

Os investigadores encontraram vasto material de pornografia infantil no telefone celular do suspeito. “Há imagens de menores que ainda nem foram identificadas e que serão analisadas no decorrer da investigação”, disse Ivalda.

Operação e investigação

A operação Apertem os Cintos, da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP, cumpriu oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados, além das duas prisões.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) do estado investiga crimes de estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, exploração sexual de criança e adolescente, produção e compartilhamento de pornografia infantil, perseguição reiterada, aliciamento de crianças e coação no curso do processo.

A Latam informou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”, afirmou em nota.

com informações de O Antagonista