Pacheco se reúne com Lula e leva ‘insatisfação’ sobre MP que altera regras do PIS/Cofins

 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
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11/06/2024 07:10 | 5 min de leitura


O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), foi ao Palácio do Planalto falar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira sobre a medida provisória que limita crédito de PIS/Cofins para empresas. A medida gerou reações de empresários e parlamentares. Ele disse a Lula que até amanhã deverá tomar uma decisão sobre o que fazer com a MP, se irá devolvê-la ou não.

Pacheco manifestou sua “insatisfação” com o fato de o governo ter optado por tratar desse assunto por meio de uma MP, dispositivo que passa a vigorar imediatamente e, se não votado em quatro meses, perde a validade. O senador alertou que, por esse caminho, não há, por exemplo, respeito à noventena — prazo de 90 dias para a medida entrar em vigor.

O presidente do Senado também levou a Lula o descontentamento do setor produtivo.

PP entra com ação no STF
Hoje, o PP apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra a MP.

Para a legenda, com a MP, "o atual planejamento financeiro das empresas sofrerá implicações instantâneas, comprometendo investimentos e corroborando para uma elevação da insegurança jurídica e de negócios no país". O PP também alega que a medida "não possui qualquer relevância social e muito menos urgência", requisitos para a edição de uma MP.

Outro argumento é de que foi desrespeitada a determinação de que um aumento de tributo deve ser implementado com um prazo de 90 dias. Para o aumento, mesmo sem um crescimento da alíquota do PIS/Cofins, a MP levou a um aumento indireto da cobrança.

O PP quer que os efeitos da MP sejam suspensos, até um julgamento definitivo do caso. O relator será o ministro Gilmar Mendes.

O governo publicou na semana passada uma medida provisória (MP) que restringe o ressarcimento em créditos de PIS/Cofins, que hoje podem ser usados por empresas para abater o pagamento de outros impostos, e prevê um ganho de receita de R$ 29,2 bilhões em 2024. A Fazenda argumenta que a MP é necessária para compensar a desoneração da folha de 17 setores e de municípios.

Hoje, créditos de PIS/Cofins podem ser usados para reduzir débitos relativos a uma série de tributos, inclusive previdenciários. A MP restringe essas possibilidades, limitando o crédito ao próprio PIS/Cofins.

O encontro entre Lula e Pacheco faz parte de uma ofensiva do governo para tentar amenizar a reação de setores à proposta apresentada pela equipe econômica. Como parte dessa operação, o Ministério da Fazenda também deve procurar, nos próximos dias, entidades como Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA).

Fonte: O Globo

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