PF desconfia que líder petista ganhou imóvel de luxo em Salvador como propina do Banco Master; VEJA IMAGENS DO IMÓVEL
Fachada do Poème Horto, empreendimento residencial de 36 pavimentos localizado em uma das áreas mais valorizadas de Salvador. Foto: Reprodução/mouradubeux
BRASÍLIA – A nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta-feira, 18, apura suspeitas de que o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), receberia um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões como propina do empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Wagner negociou diretamente com Augusto Lima no WhatsApp a aquisição do imóvel e passou a ele os dados para a aquisição, conforme informaçoes da PF.

O Poème Horto oferece apartamentos de 173,18 m² e 203,91 m², todos com quatro suítes. Ao todo, são 72 unidades e 235 vagas de garagem. Foto: Reprodução/mouradubeux
A assessoria de Jaques Wagner divulgou nota sustentando que não atuou a favor do Master e que está a disposição das autoridades. A defesa do ex-sócio do Master diz que as diligências são desnecessárias (veja abaixo)

Unidade da coluna 2 do Poème Horto conta com quatro suítes e área privativa de 203,91 m². Foto: Reprodução/mouradubeux
A PF encontrou diálogos e outros elementos que indicaram a existência da transação, que seria uma contrapartida por ações do senador a favor dos interesses do Master e de Augusto Lima.

Localizado na Rua da Sapucaia, o empreendimento será erguido em um terreno de 3.226,68 metros quadrados no Horto Florestal. Foto: Reprodução/mouradubeux
O prédio onde fica o apartamento ainda está em construção e tem unidades vendidas por valores a partir de R$ 1,7 milhão. Trata-se do Poème Horto, no bairro Horto Florestal, próximo ao tradicional bairro do Rio Vermelho e composto por condomínios e prédios de alto padrão. A unidade destinada ao senador seria de R$ 2,5 milhões, de acordo com as investigações.

Fachada do Poème Horto, empreendimento residencial de 36 pavimentos localizado em uma das áreas mais valorizadas de Salvador. Foto: Reprodução/mouradubeux
O prédio tem dois apartamentos por andar e comodidades como piscina, academia, quadra poliesportiva, espaço de massagens, SPA aquecido e até espaços exclusivos para animais de estimação.

Vista do Poème Horto, residencial de torre única erguido em terreno de 3.226,68 m² na Rua da Sapucaia, no Horto Florestal. Foto: Reprodução/mouradubeux
De acordo com as informações levantadas pela PF, o apartamento destinado a Wagner seria no 17º andar. Pelas plantas do prédio, a unidade possui cerca de 200m², com direito a quatro suítes.

Apartamentos de 203,91 m² do Poème Horto contam com três ou quatro vagas de garagem, a depender do andar da unidade. Foto: Reprodução/mouradubeux
A PF também apura suspeitas de pagamento de propina do Master para a empresa de um familiar do senador.
Lima foi o responsável por comprar uma rede estatal de supermercados do governo da Bahia em 2018, quando Jaques Wagner era secretário do Desenvolvimento Econômico do governo de Rui Costa e comandou o processo de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal). Essa privatização também vendeu o Credcesta, um sistema de cartão de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master quando Augusto Lima se associou a Daniel Vorcaro. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.
Wagner enviou contato do gerente do empreendimento
Nas conversas encontradas pela PF no celular de Augusto Lima, o senador Jaques Wagner enviou a ele o contato do gerente do empreendimento com as informações para a aquisição. “A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”, escreveu Wagner.
“Cerca de seis meses depois, em 16/05/2025, JAQUES WAGNER encaminhou a AUGUSTO mensagens originárias de filho ou filha, em que se solicitavam os dados do proprietário formal do imóvel para emissão de Registro de Responsabilidade Técnica (RRT). A mensagem finalizava com o seguinte pedido: ‘Consegue esses dados’”, diz a investigação.
No dia seguinte, Augusto Lima compartilhou com Jaques Wagner o contato de um advogado vinculado ao Master que viabilizava as aquisições de imóveis. A operação envolveu a aquisição do imóvel por meio de uma empresa. Segundo a PF, isso foi feito para ocultar a propriedade do apartamento de Jaques Wagner. Essa empresa responsável pela compra do apartamento recebeu recursos da Reag, gestora de fundos de investimento que tinha conexões com o Master.
A defesa de Augusto Lima informou que “as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.”
“Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”, informou a defesa de Lima, conduzida pelos advogados Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.
O que diz a assessoria de Jaques Wagner
O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.
Com informações de ESTADÃO
