Presidente Lula planeja prender brasileiros nos EUA com apoio da Polícia Federal; ENTENDA

Presidente Lula planeja prender brasileiros nos EUA com apoio da Polícia Federal; ENTENDA

Sajjad Hussain/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende realizar operações da Polícia Federal nos Estados Unidos para combater o crime organizado mediante autorização do governo de Donald Trump. “Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”, disse o petista, referindo-se a criminosos brasileiros em solo americano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende realizar operações da Polícia Federal nos Estados Unidos para combater o crime organizado mediante autorização do governo de Donald Trump.

“Eu não quero recebê-los, eu quero prendê-los”, disse o petista, referindo-se a criminosos brasileiros em solo americano.

A fala ocorreu durante entrevista coletiva neste domingo (22) em Nova Déli, na Índia, onde o presidente estava para participar de uma cúpula sobre inteligência artificial e uma visita de Estado a convite do primeiro-ministro, Narendra Modi.

A decisão é impulsionada pela recente invasão dos EUA à Venezuela, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, sob a justificativa de combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

A operação gerou apreensão no governo brasileiro pelo temor de que novas ações americanas na Venezuela pudessem causar instabilidade na América Latina e, consequentemente, afetar o Brasil.

O petista afirma que o governo americano já recebeu nomes, fotos e documentos da Receita Federal de membros de organizações criminosas que residem nos EUA e são monitorados pelas autoridades brasileiras por suspeita de diversos crimes.

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Como exemplo, Lula se referiu a pessoas ligadas ao contrabando de gasolina e a um morador de Miami, nos EUA, dando indícios de que se referia ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit, ex-refinaria de Manguinhos, no Rio, que vive na cidade americana desde 2016 e é apontado como o maior sonegador contumaz do Brasil, com uma dívida de R$ 26 bilhões ao Fisco, segundo autoridades.

“Essa pessoa mora em Miami, nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil. É para combater o crime organizado? Então nos entregue o nosso bandido”, declarou.

A Refit afirmou à Folha em novembro que os débitos tributários apontados pela Secretaria da Fazenda de São Paulo são alvo de questionamento judicial e negou tentativa de ocultar receitas ou fraudar o recolhimento de tributos.

Lula não informou qual a resposta dos americanos em relação ao pedido, mas disse que o tema será um dos principais na reunião bilateral com Trump prevista para março. O presidente prevê a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, além de representantes da Receita Federal e da Polícia Federal.

“Qualquer coisa que puder colocar uns magnatas da corrupção na cadeia, nós estamos dispostos a trabalhar. E esses magnatas não moram na favela, não moram no térreo, eles moram em cobertura, moram nos bairros mais chiques do Brasil e nos bairros mais chiques dos EUA”, declarou o presidente.

O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanhou o presidente na viagem à Índia para a abertura do cargo de adido no país, voltado ao combate ao crime organizado entre as nações, embora membros da própria corporação tenham dito à Folha que o número não é expressivo.

O presidente afirmou que o diretor passará a integrar sua comitiva nas próximas viagens para expandir a atuação da PF em outros territórios mediante a autorização dos governos locais. “Nós precisamos colocar adidos da Polícia Federal nos países, precisamos fazer convênios para combater o crime organizado, para combater o narcotráfico”, declarou.

Lula evitou falar sobre a decisão da Suprema Corte norte-americana que derrubou as tarifas adotadas pelos EUA, mas acrescentou que dirá a Trump no encontro em março que não quer “uma nova Guerra Fria”.

“Não queremos interferência por nenhum país. Queremos ter relações iguais com todos os países, queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário com os outros países”, afirmou.

Fernandes segue com Lula para a Coreia do Sul, onde o presidente participará de uma visita de Estado e de reuniões com o presidente Lee Jae Myung, bem como de encontros com empresários.

Fonte: Folha de sãopaulo