Promotor alvo do PCC fala em ação secreta dos EUA; VEJA
(📸: Paulo Pinto/Agência Brasil - 19.3.2026)
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pode trazer consequências financeiras, diplomáticas e até riscos à soberania brasileira, segundo avaliação do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
Especialista no combate ao PCC há mais de duas décadas, Gakiya afirmou ao R7 que a inclusão das facções na lista de SDGTs (“Terroristas Globais Especialmente Designados”) feita pelo Departamento de Estado e pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos pode abrir espaço para operações militares secretas sem autorização do governo brasileiro, nos moldes da que ocorreu no início deste ano na Venezuela, quando o ex-ditador Nicolás Maduro foi preso.
“Quando há essa classificação, o Departamento de Estado passa a tratar do tema como assunto de ‘defesa’ e não mais como assunto de ‘polícia’, e, portanto, quem passa a ter responsabilidade sobre isso é a CIA [serviço de inteligência civil dos Estados Unidos] e os militares, saindo da esfera do FBI [Polícia Federal americana] e da DEA [agência responsável pelo combate ao tráfico de drogas], por exemplo”, explicou.
“Pode gerar a possibilidade de realização de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro. Por exemplo, uma ação militar em território brasileiro nos moldes das que foram feitas no México e na Venezuela”, acrescentou Gakiya.
COM INFORMAÇÕES DE PORTAL R7
