PT escolhe parentes da ex- presidente Dilma para coordenar 0fensiva nas redes sociais; VEJA

COMBATIVIDADE - Pedro Rousseff e Lula: missão de proteger e defender o presidente, além de “fazer tudo” que o petista não pode fazer (X @PedroRousseff; @pedrorousseff/Instagram)

Com 43 milhões de seguidores nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira já demonstrou sua influência digital ao conseguir, com apenas uma publicação, enfraquecer um projeto importante do governo, desgastar a imagem do presidente Lula e mobilizar apoiadores da oposição. Considerado um dos principais nomes da militância online, ele se tornou peça-chave na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A expectativa de uma disputa eleitoral apertada, semelhante à de 2022, tende a intensificar a batalha nas redes sociais, ambiente em que a disputa por atenção nem sempre segue padrões de civilidade ou compromisso com os fatos. Nos últimos dias, por exemplo, plataformas digitais foram tomadas por comentários, vídeos, recortes de entrevistas e memes relacionados às tensões entre Brasil e Estados Unidos.

Apesar das diferentes narrativas em circulação, levantamentos realizados por empresas especializadas indicam que a versão defendida pelo governo — de que o Brasil teria sido novamente prejudicado pelos Estados Unidos por influência da família Bolsonaro — acabou alcançando maior repercussão do que a narrativa da oposição.

O resultado foi celebrado pelo PT, especialmente pelo vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, escolhido para coordenar a estratégia digital do partido durante a campanha. “Numa guerra, cada um tem uma função. A minha é estar na linha de frente”, afirmou o sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff.

Desde que assumiu mandato em 2024, Pedro já atuava como consultor informal em ações digitais do governo durante momentos de crise. No início do ano, participou de uma reunião com o presidente Lula, a primeira-dama Janja da Silva e o ministro Sidônio Palmeira, responsável pela Secretaria de Comunicação da Presidência.

Segundo o vereador, ele foi convidado para realizar nas redes sociais aquilo que o presidente não poderá fazer diretamente. Sua missão é alinhar sua atuação digital, que reúne cerca de 2 milhões de seguidores, com a estratégia do PT, fortalecendo a resposta aos adversários e unificando a atuação da militância online.

Em 2022, essa função foi exercida pelo deputado André Janones (Rede-MG), que acabou perdendo espaço após se envolver em controvérsias relacionadas ao seu gabinete.

Agora, caberá a Pedro Rousseff defender o governo e responder aos ataques virtuais. “Lula precisa estar focado em entregas, investimentos e anúncios positivos. O enfrentamento direto fica por minha conta”, declarou.

Para isso, o vereador criou um grupo de WhatsApp com mais de 400 influenciadores alinhados ao governo. O espaço, chamado de “guerrilha”, serve para compartilhar conteúdos e orientar a atuação da militância digital.

“Surgiu fake news, ataque ou crítica ao presidente? Entramos em ação”, explicou.

O principal alvo do grupo é Flávio Bolsonaro. O caso envolvendo o Banco Master foi o primeiro grande teste da estratégia. Após a divulgação de informações sobre o suposto pedido de recursos feito ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma cinebiografia de Jair Bolsonaro, a rede de influenciadores foi mobilizada.

Segundo levantamento da empresa Palver, especializada em monitoramento de grupos de WhatsApp e Telegram, 62% das mensagens que circularam sobre a relação entre Flávio e o Banco Master continham críticas ao senador, resultado considerado positivo pelos articuladores governistas.

O segundo teste ocorreu após o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida amplamente apoiada pela oposição. A “guerrilha” então passou a divulgar conteúdos ressaltando possíveis riscos à soberania nacional.

De acordo com a Palver, mais de 59% das mensagens monitoradas sobre o tema apresentaram posicionamento contrário à decisão norte-americana.

Enquanto isso, a equipe de Flávio Bolsonaro também prepara sua estrutura digital para a campanha. Um núcleo de comunicação será instalado em São Paulo e contará com cerca de doze integrantes dedicados à divulgação de conteúdos, monitoramento das redes e resposta rápida a ataques de adversários.

Nikolas Ferreira deverá servir como referência para essa estratégia, o que tende a ampliar ainda mais a polarização entre governo e oposição.

O deputado também se tornou um dos principais alvos do PT. “Nikolas é um político muito perigoso. Ele não tem ética nem moral. Precisamos enfrentá-lo”, afirmou Pedro Rousseff.

Além das divergências ideológicas, os dois mantêm uma rivalidade pessoal marcada por trocas de acusações, disputas judiciais e pela concorrência direta por uma vaga na Câmara dos Deputados.

Nikolas possui uma audiência digital muito superior à do vereador. Recentemente, ao comentar uma decisão judicial envolvendo Pedro Rousseff, publicou uma postagem substituindo a foto do petista pela imagem de um asno.

E a campanha eleitoral oficial ainda nem começou.

Com informações de VEJA