Saiba quem foi a mulher que inventou o Dia das Mães;

Anna Jarvis fez campanha incansavelmente para estabelecer oficialmente o Dia das Mães — Foto: Getty Images via BBC

As comemorações do Dia das Mães variam de país para país, mas poucos lugares no mundo deixam a data passar em branco.

Nas Américas, a celebração costuma ocorrer em maio, geralmente no segundo domingo do mês, embora países como México, Guatemala e El Salvador comemorem alguns dias antes.

Independentemente da data, a ocasião se consolidou como um dos períodos mais importantes do ano para o comércio, especialmente para setores ligados à venda de cartões, flores, chocolates e presentes.

Apesar da popularidade da celebração, poucas pessoas conhecem a origem do costume de homenagear as mães em uma data específica.

A campanha que deu origem à data

A tradição remonta à Grécia Antiga, quando rituais eram realizados no início da primavera em homenagem a Reia, considerada a mãe dos deuses.

O reconhecimento oficial da celebração, porém, surgiu no século XX, nos Estados Unidos, graças à iniciativa de Anna Jarvis, uma mulher que nunca teve filhos, mas dedicou sua vida a homenagear a própria mãe.

Em 1905, após a morte de Ann Reeves Jarvis, Anna iniciou uma campanha pela criação do “Dia das Mães”. Três anos depois, organizou uma homenagem pública, mesmo sem reconhecimento oficial da data.

A inspiração veio de uma oração deixada por sua mãe:

“Espero e rezo para que alguém, um dia, reconheça um dia em memória das mães.”

Ann Reeves também teve papel importante durante a Guerra Civil Americana, organizando grupos femininos de apoio a soldados e ações voltadas à saúde pública.

Determinada a oficializar a homenagem, Anna Jarvis enviava cartas a congressistas, governadores e personalidades influentes defendendo a criação da data. Em 1911, todos os estados americanos já reconheciam a celebração e, em 1914, o segundo domingo de maio foi oficializado como o Dia das Mães.

O conflito com a comercialização

Pouco tempo depois da conquista, Anna Jarvis passou a criticar a transformação da data em um evento comercial.

A celebração rapidamente se tornou alvo de campanhas publicitárias e ganhou força nas indústrias de flores e cartões comemorativos. Incomodada, Jarvis iniciou uma campanha para boicotar o próprio feriado que ajudou a criar.

Ela criticava comerciantes que, segundo ela, exploravam financeiramente o sentimento das famílias. Também rejeitava o uso de cartões prontos, defendendo que demonstrações de carinho fossem feitas por meio de cartas escritas à mão.

Antes de morrer, em 1948, endividada e enfrentando depressão, Anna chegou a declarar:

“Lamento profundamente ter criado o Dia das Mães.”

A data no Brasil

No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado em 1932 por decreto assinado por Getúlio Vargas.

A consolidação da comemoração, porém, ganhou força durante o regime militar entre 1964 e 1985, período em que houve valorização da imagem da família e da maternidade.

Segundo a historiadora Mary Del Priore, a figura da mãe dedicada aos filhos passou a ser exaltada em campanhas, revistas e concursos da época.

Impacto econômico

Além do valor afetivo, o Dia das Mães também movimenta bilhões de reais todos os anos.

Nos Estados Unidos, as vendas relacionadas à data superam US$ 23 bilhões anuais.

Já no Brasil, a comemoração é considerada a segunda data mais importante do varejo nacional. A expectativa para 2026 é de movimentar cerca de R$ 38 bilhões nos setores de comércio e serviços, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil.

Os produtos mais procurados devem ser itens de moda, beleza, chocolates, flores e experiências, como viagens e almoços em família. A pesquisa também aponta que o gasto médio previsto pelos consumidores é de R$ 294.

No fim, apesar das transformações comerciais ao longo do tempo, a data segue sendo associada à valorização do afeto e da importância das mães na vida das famílias.

Com informações de G1