Uma planta que sobrevive apenas em água doce brotou na margem do lago mais salgado do mundo e o que os geólogos encontraram depois assustou a todos; VEJA

Uma planta que só sobrevive apenas em água doce brotou na margem do lago mais salgado do mundo e o que os geólogos encontraram depois assustou a todos; VEJA

REPRODUÇÃO O ANTOGANISTA

Geofísicos da Universidade de Utah fizeram uma descoberta que desafia a lógica mais imediata. Sob o imenso Grande Lago Salgado, o maior corpo de água salina interior do Hemisfério Ocidental, esconde-se um depósito de água doce oculto no subsolo que se estende por até quatro quilômetros de profundidade.

O que torna essa descoberta tão impressionante para os cientistas?

O que deixou a equipe do professor Michael Zhdanov genuinamente empolgada foi o contraste brutal entre as águas hipersalinas da superfície e o que está por baixo. Ninguém esperava encontrar sedimentos saturados de água pura tão perto de uma camada de salmoura tão densa.

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“O inesperado não foi a lente de sal que vemos perto da superfície, mas o fato de a água doce se estender para o interior do lago e possivelmente sob ele inteiro”, explicou o hidrólogo Bill Johnson, coautor do estudo. A descoberta apareceu no periódico Scientific Reports em fevereiro de 2026.

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Veja os detalhes:

🔬 Por que a descoberta surpreendeu os cientistas

Ponto Detalhe
O que era esperado Lente de sal perto da superfície
O que surpreendeu Água doce sob camada densa de salmoura
Extensão da descoberta Água doce possivelmente sob o lago inteiro
Pesquisador principal Professor Michael Zhdanov
Coautor do estudo Hidrólogo Bill Johnson
Publicação científica Scientific Reports, fevereiro de 2026
💡 O contraste entre as águas hipersalinas da superfície e os sedimentos de água pura abaixo foi o que surpreendeu a equipe

De onde vem a água doce escondida sob um lago salgado?

A resposta começou com uns montes de caniço que brotavam misteriosamente na margem sudeste do lago. O Phragmites australis, uma planta que só cresce com água doce em abundância, denunciava que havia ali algo muito diferente do resto.

A hipótese, confirmada pelo estudo, é que essa água se acumulou ao longo de milhares ou milhões de anos. Ela provém do derretimento de neve nas montanhas Wasatch e outras cadeias circundantes, infiltrando-se lentamente e formando um aquífero pressurizado que se move em direção ao centro da bacia.

Qual tecnologia permitiu enxergar esse reservatório oculto?

A técnica usada foi o levantamento eletromagnético aéreo (AEM). Um helicóptero sobrevoou uma área de 25 quilômetros quadrados carregando um equipamento que emitia pulsos eletromagnéticos contra o solo, funcionando como um raio-X gigante das estruturas geológicas subterrâneas.

O método diferencia a água doce da salgada pela condutividade elétrica: a salmoura conduz eletricidade muito melhor do que a água pura. Isso permitiu mapear com precisão onde a interface entre os dois tipos de água realmente se encontra.

Quais são as dimensões estimadas desse depósito subterrâneo?

Os dados indicam que o reservatório de água doce atinge entre 3 e 4 quilômetros de profundidade, aproximadamente 10.000 a 13.000 pés. A equipe detectou uma “bacia” de rocha matriz que se estende muito mais para o interior do lago do que se imaginava.

O professor Zhdanov explica o potencial: “Se sabemos a profundidade, sabemos a largura, sabemos o espaço poroso, podemos calcular o volume potencial de água doce”. Contudo, ele próprio adverte que a área pesquisada foi apenas uma fração do Grande Lago Salgado, e será preciso ampliar o estudo para conclusões definitivas.

Uma planta que só vive em água doce brotou na margem do lago mais salgado do mundo e o que os geólogos encontraram depois assustou a todos
Representação das camadas geológicas que escondem o reservatório hídrico subterrâneo no deserto americano

Por que essa descoberta é importante para o futuro de Utah?

O Grande Lago Salgado vem encolhendo de forma acelerada, e o leito seco exposto está carregado de arsênico e outros metais tóxicos. Quando o vento sopra, essa poeira contaminada viaja até Salt Lake City, com riscos de câncer e doenças respiratórias para a população.

A descoberta do aquífero subterrâneo abre uma possibilidade concreta de ação. As principais frentes de interesse apontadas pelos cientistas incluem:

Uso da água doce para mitigar a poeira tóxica das áreas secas do lago
Mapeamento completo da bacia com novos sobrevoos eletromagnéticos
Monitoramento de outros lagos terminais que enfrentam problemas semelhantes
O que falta para confirmar a extensão total do reservatório?

O estudo atual é um projeto-piloto. Ele demonstrou que a tecnologia AEM funciona e que existe água doce onde ninguém esperava. Mas para saber se o reservatório está presente sob todo o lago, uma área de mais de 4.000 km², é necessário repetir o levantamento em escala muito maior.

Enquanto a pesquisa avança, os cientistas preferem a cautela. “Precisamos estudar o lago inteiro. Só então saberemos o topo e a base”, resume Zhdanov. O que já se sabe, no entanto, é suficiente para mudar a percepção sobre um dos ecossistemas mais ameaçados dos Estados Unidos.
Com informações de O ANTAGONISTA