Vice de Trump viaja à Hungria para dar apoio ao aliado Orbán em eleição acirrada; VEJA

Vice de Trump viaja à Hungria para dar apoio ao aliado Orbán em eleição acirrada; VEJA

REPRODUÇÃO (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, desembarcou nesta terça-feira, 7, em Budapeste para expressar o apoio de Donald Trump ao primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, antes das eleições legislativas marcadas para o próximo domingo no país europeu.

A visita acontece após a viagem do secretário de Estado, Marco Rubio, em fevereiro, quando ele desejou “sucesso” ao aliado húngaro, que enfrentará no pleito seu maior desafio em 16 anos de poder. Na sequência de uma reunião a portas fechadas entre Vance e Orbán, durante a qual conversaram sobre a relação EUA-Hungria, Europa e a guerra na Ucrânia, o vice-presidente americano realizou um discurso à imprensa.

“Viktor vai vencer”

Num endosso completo ao premiê de extrema direita, Vance afirmou querer “ajudá-lo o máximo possível enquanto ele enfrenta este período eleitoral” e criticou os “burocratas em Bruxelas” por suposta interferência eleitoral.

“(Trump e Orbán) defendem os valores da civilização ocidental, uma cooperação moral que ataca a doutrinação sobre questões de gênero. Se trata da defesa da ideia de que somos fundados em uma certa civilização cristã e em valores cristãos que norteiam tudo, da liberdade de expressão ao Estado de Direito, ao respeito aos direitos das minorias e à proteção dos vulneráveis”, disse ele.

Em seguida, lançou críticas inflamadas contra “um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições que já vi”, denunciando “os burocratas em Bruxelas que tentaram destruir a economia da Hungria” — referência ao congelamento dos repasses da União Europeia ao país de Orbán em represália à deterioração da democracia.

“Eles fizeram tudo isso porque odeiam (Orbán)”, disse Vance. Dirigindo-se aos eleitores húngaros, defendeu que o foco no pleito deve estão “não em quem é anti ou pró-Europa, mas quem é pró-Hungria”. “E, pela minha experiência, eu vi um cara que defendeu ferozmente seus interesses”, acrescentou, apesar de pouco antes ter afirmado que “não direi ao povo húngaro como votar”.

O vice-presidente concluiu dizendo que “Viktor Orbán vai ganhar as próximas eleições na Hungria, estou muito confiante quanto a isso”.

Eleições acirradas

Dentro do governo Trump, Vance, de 41 anos, é um dos maiores defensores dos partidos de extrema direita da Europa.

A Hungria realiza no próximo domingo eleições parlamentares que serão chave para a permanência de Orbán, de 62 anos, no comando do país, após 16 anos no cargo. Trump declarou que o húngaro é “um líder forte e poderoso”.

Desde que chegou ao poder, o premiê começou a redefinir o Estado húngaro e suas instituições, construindo gradualmente um sistema que, em 2014, batizou de “Estado antiliberal”. Há anos, seus críticos o acusam de minar a independência do Judiciário, silenciar a imprensa e manipular o sistema eleitoral. Essas questões provocaram repetidos embates com a União Europeia, assim como sua postura anti-imigração, mas o líder húngaro transformou tudo isso em vantagem com campanhas midiáticas contra a “burocracia de Bruxelas”, nas quais se retrata como o defensor dos interesses nacionais.

Apesar de seu amplo controle sobre as engrenagens da política, pesquisas realizadas por institutos independentes preveem agora uma vitória com folga para o partido Tisza, do conservador pró-Europa Peter Magyar, que conseguiu construir em menos de dois anos um movimento de oposição capaz de desafiar a hegemonia do líder húngaro — que também sofre devido a uma crise econômica e uma série de escândalos de corrupção.

As instituições pró-governo, por sua vez, dão como vencedora a coalizão Fidesz-KDNP, de Orbán.

Com informações de VEJA