Vulcão de 25 milhões de anos fica escondido em cidade brasileira; DESCUBRA:

Pico do Cabugi, no interior do Rio Grande do Norte, se destaca na paisagem da caatinga. (Foto: Matheus Lisboa/UFRN)

O Pico do Cabugi, localizado no município de Angicos, no interior do Rio Grande do Norte, é uma formação geológica que guarda registros importantes de um antigo vulcanismo na região. Situado às margens da BR-304 e cercado pela vegetação da caatinga, o relevo atinge cerca de 590 metros de altitude e é considerado um dos principais marcos desse tipo de fenômeno no estado.

Apesar de ser popularmente chamado de “vulcão extinto”, geólogos explicam que o Cabugi não é um vulcão no sentido clássico. Trata-se de uma estrutura vulcânica preservada, formada a partir da solidificação do magma dentro do antigo conduto por onde ele subiria. Na linguagem técnica, essa formação é chamada de neck ou plug vulcânico.

Segundo o geólogo Marcos Nascimento, professor da UFRN, “trata-se de uma formação vulcânica, correspondendo ao neck, passagem por onde sobe o magma de um vulcão, com rochas formadas há cerca de 25 milhões de anos”. Ele destaca ainda a composição da área, que reúne basaltos na parte central e rochas como gnaisse e pegmatito ao redor.

Essa combinação ajuda a entender a origem vulcânica do local. O formato atual do pico, no entanto, não corresponde a uma cratera ativa. Ele é resultado de processos naturais ao longo de milhões de anos, como erosão e desgaste das laterais da antiga estrutura, que deixaram exposto o núcleo solidificado do antigo sistema magmático.

O geólogo Zorano Sérgio de Souza, também da UFRN, explica que o Cabugi está ligado a um vulcanismo não explosivo. Segundo ele, o magma possuía baixa concentração de gases, o que impediu erupções violentas. “O Cabugi não explodiu porque o magma solidificou-se ainda no interior do edifício vulcânico. Ele representa o ‘plug’ ou a ‘rolha’ de rocha sólida que ficou no conduto”, afirma.

O Brasil, atualmente, não possui vulcões ativos, de acordo com o Serviço Geológico do país. Isso ocorre porque o território está localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe das zonas de maior instabilidade tectônica, onde se concentram os vulcões ativos no planeta.

O Pico do Cabugi integra o Parque Ecológico Pico do Cabugy, unidade de conservação estadual criada em 1988. A área tem cerca de 625 hectares e tem como objetivo preservar a formação geológica, a fauna e a flora da caatinga, além de permitir atividades controladas de pesquisa e educação ambiental.

Para pesquisadores e visitantes, o Cabugi também tem valor simbólico e cultural, sendo uma das paisagens mais marcantes do sertão potiguar e um importante ponto de referência visual na região.

Com informações de Click Petróleo e gás.